quarta-feira, 12 de Março de 2014

sábado, 15 de Fevereiro de 2014

on falling in love








New York
November 10, 1958

Dear Thom:

We had your letter this morning. I will answer it from my point of view and of course Elaine will from hers.
First — if you are in love — that’s a good thing — that’s about the best thing that can happen to anyone. Don’t let anyone make it small or light to you.
Second — There are several kinds of love. One is a selfish, mean, grasping, egotistical thing which uses love for self-importance. This is the ugly and crippling kind. The other is an outpouring of everything good in you — of kindness and consideration and respect — not only the social respect of manners but the greater respect which is recognition of another person as unique and valuable. The first kind can make you sick and small and weak but the second can release in you strength, and courage and goodness and even wisdom you didn’t know you had.
You say this is not puppy love. If you feel so deeply — of course it isn’t puppy love.
But I don’t think you were asking me what you feel. You know better than anyone. What you wanted me to help you with is what to do about it — and that I can tell you.
Glory in it for one thing and be very glad and grateful for it.
The object of love is the best and most beautiful. Try to live up to it.
If you love someone — there is no possible harm in saying so — only you must remember that some people are very shy and sometimes the saying must take that shyness into consideration.
Girls have a way of knowing or feeling what you feel, but they usually like to hear it also.
It sometimes happens that what you feel is not returned for one reason or another — but that does not make your feeling less valuable and good.
Lastly, I know your feeling because I have it and I’m glad you have it.
We will be glad to meet Susan. She will be very welcome. But Elaine will make all such arrangements because that is her province and she will be very glad to. She knows about love too and maybe she can give you more help than I can.
And don’t worry about losing. If it is right, it happens — The main thing is not to hurry. Nothing good gets away.

Love,
Fa


quinta-feira, 26 de Dezembro de 2013

alma encontrada





in Dicionário dos Lugares Imaginários, Alberto Manguel e Gianni Guadalupi, tinta-da-china, 2013

terça-feira, 17 de Dezembro de 2013

oneself
















What would you like to tell people?
 I don’t know… I think I’d like to say only that they should learn to be alone and try to spend as much time as possible by themselves. I think one of the faults of young people today is that they try to come together around events that are noisy, almost aggressive at times. This desire to be together in order to not feel alone is an unfortunate symptom, in my opinion. Every person needs to learn from childhood how to be spend time with oneself. That doesn’t mean he should be lonely, but that he shouldn’t grow bored with himself because people who grow bored in their own company seem to me in danger, from a self-esteem point of view. 

img. Instant Light: Tarkovsky Polaroids from Thames and Hudson

segunda-feira, 18 de Novembro de 2013

parabéns, Pina!



" (...) tu que com sono a glabra ilha lavras
e com o sonho avidamente a usas
na dura arquitectura das palavras
tu que tudo te dura das palavras."



 Poemas com cinema [de Ainda não é o fim nem o princípio do Mundo calma é apenas um pouco tarde], org. Joana Matos Frias, Luís Miguel Queirós e Rosa Maria Martelo, Assírio & Alvim, Lisboa, 2010.

domingo, 10 de Novembro de 2013

sem rede







Diz-me se incomodo,
disse ao entrar,
porque me vou imediatamente.

Não apenas incomodas,
respondi,
como pões de pés para o ar toda a minha existência.
Bem-vindo.

Eeva Kilpi


quarta-feira, 16 de Outubro de 2013

quinta-feira, 10 de Outubro de 2013

vermelho







Não sei de músicas que acalmem os pássaros, nem sei de pássaros que amanheçam no sangue ou de beijos dados no pulso para chegarem ao coração. Não sei de nada que tenha voo, cor de tempo – vermelho, sempre vermelho, como odeio vermelho –, ou de como se nasce das pedras. Muito embora tenha caminhado sobre elas, pressinta cores dentro do peito e goste de olhar muito acima da copa das árvores só pela ideia de que, ao contrário dos pássaros, as estrelas me durarão o futuro todo. E se me falam de músicas, sangue ou beijos, sorrio e fecho o rosto, porque nunca gostei do que não me durasse mais do que este instante.

Beatriz Hierro Lopez
É quase noite, Averno, Lisboa, 2013.

via



sexta-feira, 4 de Outubro de 2013

mudança de estação





para te manteres vivo - todas as manhãs
arrumas a casa sacodes tapetes limpas o pó e
o mesmo fazes com a alma - puxas-lhe brilho
regas o coração e o grande feto verde-granulado

deixas o verão deslizar de mansinho
para o cobre luminoso do outono e
às primeiras chuvadas recomeças a escrever
como se em ti fertilizasses uma terra generosa
cansada de pousio - uma terra
necessitada de águas de sons de afectos para
intensificar o esplendor do teu firmamento
passa um bando de andorinhões rente à janela
sobrevoam o rosto que surge do mar - crepúsculo
donde se soltaram as abelhas incompreensíveis
da memória
luzeiros marinhos sobre a pele - peixes
que se enforcam com a corda dos noctilucos
estendida nesta mudança de estação

Al Berto

(img. ann hamilton)

domingo, 29 de Setembro de 2013

domingologia






 













Porque é que as segundas têm de
estrangular os domingos;
e o outono, o verão;
e o tempo adulto, o tempo mais jovem?
Sob os jardins,
morreram outros jardins.
Atrás do sol,
outros sóis sucumbem,

como roupas velhas num armário.
Ele já não faz perguntas:
apaixonou-se por uma música.


Alain Bosquet
[Trad. Inês Dias]

via

quarta-feira, 25 de Setembro de 2013

fall









Gerard Manley Hopkins
traduzido por Ricardo Marques
in PIOLHO #11, Edições Mortas/Black Sun Editores, Agosto 2013



domingo, 15 de Setembro de 2013

uma vida maior





quando a noite toca os teus pulsos
rebentam em ternura as açucenas
e o mais das flores se inclina
para o peito, o ventre, o calor
desta vida que brilha ao sul.


dá-me a tua mão, dizes,
quero ter contigo o relâmpago
que incendeia na terra os cereais
e no coração desperta as romãs.


procuro árvores, pé após pé.
na sombra da tua palavra
busco o derradeiro acordar das estrelas
e demoro-me em silêncio
na interrogação dos planetas.


e quando a noite toca os teus pulsos
dá-me em mim uma vida maior
e das janelas apago os olhares
para ficar a sós contigo
no suspiro da terra que nos inventa.


- Vasco Gato
 Um mover de mão

(parabéns, cn)

quinta-feira, 5 de Setembro de 2013

nós estamos aqui










A minha alegria é um aroma de tangerina nos dedos,
comer aos gomos a paisagem e limpar depois
a boca à manga do espanto.

Tu puxas-me e somos duas crianças num trilho de mata,
num banco de pedra, num portão verde
dividindo o aqui e o ali.
Porque nós estamos aqui.
Aqui onde te entrego os meus bolsos,
e - repara - as tuas mãos cabem.

Nós estamos aqui.



(Vasco Gato, in 47, edição do autor)






sexta-feira, 26 de Julho de 2013

quinta-feira, 27 de Junho de 2013

ne pas se séparer du monde





"Ne pas se séparer du monde. On ne rate pas sa vie lorsqu'on la met dans la lumière. Tout mon effort, dans toutes les positions, les malheurs, les désillusions, c'est de retrouver les contacts. Et même dans cette tristesse en moi quel désir d'aimer et quelle ivresse à la seule vue d'une colline dans l'air du soir."

Albert Camus, Carnets


domingo, 5 de Maio de 2013